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Saúde não se vende, loucura não se prende!



-Pessoas privadas de sua liberdade, presas, passando fome ou se alimentando de forma desumana (restos de comida do lixo, comida estragada).

- Pessoas acorrentadas, apanhando de "profissionais de saúde", sendo xingadas, mantidas atrás de grades, dormindo no chão em amontoadas em pequenas camas de cimento.

- Pessoas nuas ou mal vestidas, péssimas condições de higiene. Homens e mulheres urinam e defecam no chão, pisam ou comem depois.

- Mortes, aos montes! Só em um manicômio foram 60 mil mortes, Mas sempre havia uma forma de maquiar. "Vamos dizer que foi suicídio!".

- Cadáveres eram comumente vendidos para universidades, um sistema que lucrava com a morte dos loucos. Talvez faça sentido o documentário Psiquiatria uma Indústria da Morte

- Mulheres e homens sendo estupradas(os) ou obrigados a fazer sexo ao ar livre pra satisfazer o instinto perverso dos trabalhadores dos manicômios.

- Mas não eram vidas, não eram pessoas, eram loucos, animais, pedaços de carne podre, que não pensam, não sentem, não produzem, não sabem de nada, anormais. (Assim pensam os monstros que produziram e produzem mortes em manicômios e comunidades terapêuticas).


(Essa realidade aconteceu e acontece em muitos manicômios e comunidades terapêuticas espalhados pelo Brasil, pelo mundo).


Como forma de combater esse cenário podre e arraigado de morte e negação dos direitos humanos, inúmeros profissionais da saúde mental se mobilizaram com um lema: Por uma sociedade sem manicômios. Foram reuniões, passeatas, discussões, perseguições o que culminou na Lei 10.216, de abril de 2001.

No entanto depois de anos de luta e resistência contra a malha psiquiátrica da NaziPsiquiatria como nos diz Vitor Pordeus, este ano assistimos mais um retrocesso com a publicação da Nota Técnica Nº 11/2019-CGMAD/DAPES/SAS/MS já na gestão do presidente Bolsonaro.

Esta nota além de enfraquecer a Rede de Atenção Psicossocial como SUBSTITUTIVA aos Manicômios, coloca novamente estes manicômios como componentes de uma rede que ainda tem como dispositivos as Comunidades Terapêuticas.

Ademais, há brechas para a internação de CRIANÇAS E ADOLESCENTES, a volta dos ELETROCHOQUES.

Tamanho retrocesso é contramão da Declaração Universal dos Direitos Humanos, dos princípios do SUS, da Reforma Psiquiátrica. Uma lei que, mesmo com algumas brechas, vinha conseguindo (mesmo com dificuldades) garantir a criação de serviços substitutivos aos manicômios, promovendo cuidado mais humanizado para pessoas em situação de sofrimento psíquico.

O movimento da Luta Antimanicomial não se manifestou apenas nas décadas de criação do movimento, mas tem suas raízes em movimentos que se capilarizam e tentam combater os manicômios físicos que ainda existem no Brasil (só no sistema público são mais de 732 mil leitos psiquiátricos), os manicômios mentais (que se manifestam como práticas e discursos que tentam desconsiderar o louco em seus direitos) que reforça uma cultura manicomial forte no nosso país.


Foucault, Basaglia, Jean Oury, Guattari, Paulo Amarante, Paulo Delgado, Matraga (in memorian) nomes que combateram os manicômios no mundo e no Brasil foram a base para nos firmarmos em luta contra os manicômios em suas diversas faces.

A desinstitucionalização não diz respeito apenas a acabar com as grandes instituições psiquiátricas e CT's, mas desinstitucionalizar nossas práticas que podem ser atravessados por movimentos de anulação do outro em seu direito à diferença, reforçando lógicas manicomiais travestidas de tutela, cuidado, boa vontade.

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MAS NÃO VAMOS RECUAR! NÃO VAMOS RETROCEDER!

NENHUM PASSO SERÁ DADO PRA TRÁS. MANICÔMIOS NUNCA MAIS.


Essa não é uma luta apenas dos profissionais de saúde, dos profissionais de Saúde Mental ou apenas dos militantes da Luta Antimanicomial. É uma luta de todos que respeitam os direitos humanos.

Não podemos nos calar!

Precisamos lutar contra as tentativas de retrocesso a um modelo que causa morte, anulação, repressão, violência todos os dias.

Saúde não se vende, loucura não se prende!


Texto publicado pela página Esquizografias, no Instagram, no dia 04 de maio de 2021.

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